Como Ser Elegante em Situações Difíceis

Marina Naves falando sobre elegância no comportamento e em situações difíceis

Ser elegante é fácil quando tudo está dando certo.

A elegância aparece mesmo quando alguém é grosseiro com você, quando algo sai diferente do planejado, quando você é injustiçada ou quando precisa dizer não. Nesses momentos ela não depende do look, do estilo, da paleta de cores nem da marca da bolsa.

Neste artigo eu vou mostrar como agir com classe em cinco situações difíceis, sem ser passada para trás.

1. Quando alguém é grosseiro com você

A primeira reação costuma ser responder na mesma altura. Aqui vai a regra que muda tudo:

Quem perde o controle perde a autoridade.

No momento da grosseria, o que decide o resultado é o seu domínio. Ter razão vem depois.

Evite confrontar imediatamente e provar seu ponto a todo custo. Se a pessoa está sendo grosseira, ela já decidiu que não vai concordar com você, e não existe como convencer alguém que decidiu não concordar.

Não eleve o tom. Quanto mais você confronta na mesma moeda, mais a pessoa alterada quer ganhar a discussão e mais ela te trata como oponente.

O que fazer na prática

Mantenha o tom de voz estável, não reaja por impulso, diminua o ritmo da conversa. Elegância aqui é autocontrole.

E acontece uma coisa interessante do outro lado. A pessoa fica constrangida ao perceber que está gritando e se exaltando enquanto você está serena. A sua serenidade realça o descontrole dela, e naturalmente ela tende a se adequar ao seu tom.

A frase para encerrar quando não adianta

Se a serenidade não resolver e você já estiver cansada, use uma frase assim:

“Fulano, acho que a gente não vai chegar a lugar nenhum com você gritando dessa maneira. Vou sair e em outro momento a gente conversa.”

A pessoa não tem o que responder, porque você não recusou a conversa. Você recusou a briga. E para brigar são necessárias duas pessoas.

Isso vale só para o tom, para você não entrar na onda de quem está revoltado. Nada de pano quente, e nada de pedir desculpa quando você está certa.

2. Quando algo não sai como planejado

Você organizou um evento, uma reunião importante, uma ocasião especial. O fornecedor atrasa, alguém falta, um detalhe falha.

O que é elegante aqui é não evidenciar nem aumentar o problema.

Quanto mais você pede desculpas e enfatiza o erro para as outras pessoas, mais estressante fica o ambiente. Muitas vezes ninguém teria notado o problema até você chamar atenção para ele.

Isso não significa omitir. Significa dar ao problema a atenção que ele merece, sem criar alarme. Pare, pense na melhor forma de resolver, e lembre que o que não tem remédio, remediado está.

Excesso de justificativa diminui a percepção sobre a sua capacidade de resolver problema.

O pior cenário é não pedir desculpa e colocar a culpa no outro: foi por causa do fulano, foi por causa disso e daquilo. Assuma a situação, resolva, e volte com a resolução: “não deu certo, já reagendei”, “atrasou, já consegui outro fornecedor”.

3. Quando você é injustiçada

Essa é difícil, porque fere o ego. Dá vontade de expor a situação, reclamar, repetir o ocorrido para todo mundo.

Aqui a elegância mora entre o silêncio e a sabedoria, tanto na hora quanto na forma de falar.

Se a injustiça foi no particular

Procure a pessoa e tenha uma conversa madura. Fale diretamente com quem cometeu a injustiça: “não achei justa essa situação, vamos resolver”.

Não é para calar. Injustiça precisa ser falada. Mas falada com quem cometeu.

Se você reclama para todo mundo e não com a pessoa, você acaba parecendo chata, porque não está buscando resolver, está buscando plateia.

Se a injustiça foi em público

Você pode responder, e pode responder rápido:

“Com licença, eu gostaria só de esclarecer esse ponto.”

Simples, objetivo, sem ficar bélico e sem atacar a pessoa. Você corrige a informação de forma imediata, não humilha ninguém, e deixa claro que não está ali à toa.

Isso mostra inteligência emocional. E inteligência emocional não significa ser bobinha e deixar que falem o que quiserem. Quando alguém não tem limite, é seu dever explicar o limite, porque o limite é seu.

4. Quando você precisa dizer não

Saber dizer não é uma das maiores demonstrações de elegância e de autocuidado.

O problema é que muita gente acha que negar alguma coisa é ser deselegante. Uma coisa não tem relação com a outra. Recusar algo que você não quer é apenas o que é.

A diferença está no como

Deselegante Elegante
“Lógico que não!” “De jeito nenhum!” “Por que você está me perguntando isso?” “Vou preferir ficar em casa.” “Vou preferir descansar.” “Não consigo, estou muito apertada.”

O que separa os dois é o tom de voz e a escolha das palavras, não a recusa em si.

Você não está sendo grosseira. Você só está sendo clara. E no medo de ser grosseira, muitas pessoas deixam de ser claras.

Aí vira aquele looping em que o outro lado não entende se você disse sim ou não. Fale claramente, seja específica, e não invente desculpa elaborada. “Não quero ir, estou cansada” basta.

Se alguém interpreta um não como grosseria, o problema deixou de ser seu.

5. Quando você erra

Pedir desculpas é elegante. Ninguém aguenta a pessoa que, a cada erro, quer transferir a culpa: é o fulano, é o tempo, é a prefeitura, é o trânsito. Choveu, esfriou, esquentou. Cada dia uma justificativa nova.

Quando errar, assuma: “me desculpa, eu errei. Achei que ia conseguir e não consegui. Achei que ia entregar nesse prazo e não deu.”

A pessoa ainda pode achar ruim, e é natural, você combinou uma coisa e fez outra. Mas é muito menos pior do que inventar desculpa, e infinitamente mais nobre do que terceirizar a culpa.

Perguntas frequentes

Como responder a uma pessoa grosseira sem perder a elegância?

Mantenha o tom de voz estável e diminua o ritmo da conversa. Quem perde o controle perde a autoridade, e a sua serenidade realça o descontrole do outro. Se não resolver, encerre dizendo que vocês retomam em outro momento.

Como dizer não de forma educada?

Fale claramente, em tom de voz normal, sem palavras agressivas e sem rodeios. “Vou preferir ficar em casa” é claro e educado. O que torna um não deselegante é a grosseria no tom, não a recusa.

O que fazer quando alguém é injusto com você em público?

Corrija a informação na hora, de forma simples e objetiva, começando por “com licença, gostaria de esclarecer esse ponto”. Você não humilha ninguém e deixa claro que a versão dita não é a correta.

Elegância tem a ver com roupa?

Tem, e tem também com comportamento. Autocontrole, clareza, postura, limites e responsabilidade sustentam a imagem tanto quanto a roupa. Uma imagem bem construída cai por terra num descontrole público.

Elegância também é comportamento

Repare que em nenhuma dessas cinco situações a elegância estava no vestir.

Ela passou por autocontrole, clareza, postura, limites e responsabilidade. Uma pessoa elegante mantém a compostura sem virar passiva. Ela entende o próprio limite, reconhece o limite do outro, e sabe explicar o seu quando ele não é respeitado.

Dito isso, a imagem também comunica, e as duas coisas andam juntas. Se você quer construir uma imagem coerente com a mulher que você é, é esse o trabalho que fazemos dentro do Armário Perfeito.

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